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Mostre um povo como uma coisa, como somente uma coisa, repetidamente, e será o que eles se tornarão. (...) A consequência de uma única história é essa: ela rouba das pessoas sua dignidade. Faz o reconhecimento de nossa humanidade compartilhada difícil. Enfatiza como nós somos diferentes ao invés de como somos semelhantes.

(Chimamanda Ngozi Adichie)

Desde o início do século XIX, quando a imprensa foi autorizada no Brasil, o Norte mostrou seu interesse pela leitura.  Nas páginas dos jornais das principais províncias, desfilavam prosa de ficção, poesia, crítica literária, crônicas, peças teatrais e debates literários produzidos copiosamente por homens do norte. Esses periódicos circulavam em todo o território brasileiro, graças ao intenso movimento dos navios, alcançando as províncias mais longínquas. Belém e Manaus, fortalecidas com o progresso proveniente da extração da borracha, no final do século XIX, publicaram seus primeiros livros e jornais. Com a implantação do regime republicano e a demarcação dos estados da região norte, as folhas públicas passam a ser produzidas por todas as capitais do país e rapidamente a literatura passa a ganhar mais espaço tanto nas páginas impressas quanto nos espaços de leitura que cresciam significativamente. É considerando esse intenso desenvolvimento, somado a percepção da diversidade cultural, social e fisiográfica da região que repousa o objetivo principal deste grupo de pesquisa e extensão, o Literaturas do Norte: Vozes e escritas da Amazônia, estimular o debate em torno da produção, circulação e recepção da literatura na/da região Norte.

Para tanto, várias são as ações planejadas e já em atuação que envolvem professores, graduandos, pós-graduandos, escritores, livreiros, editores, bibliotecários, pesquisadores, arte-educadores e demais interessados no tema, tais como o lançamento de livros e informativos, a realização de pesquisas, a apresentação de trabalhos, apresentação de simpósios, assim como a realizações de minicursos, jornadas, webinários e congêneres, além, é claro, do curso de extensão de 180h que leva o mesmo título do grupo, Literaturas do Norte: Vozes e escritas da Amazônia. Ações que objetivam tornar a percepção e a recepção da literatura cada vez mais presente entre nós, saindo dos bancos da academia e escolas para se manifestarem em todos os espaços possíveis.

Vinculado ao Programa de Formação, Aperfeiçoamento, Qualificação Profissional e Idiomas (PROFID), o Literaturas do Norte: Vozes e escritas da Amazônia é uma iniciativa do Núcleo de Pesquisas Pós-coloniais (NePC) e dos Cursos de Licenciatura em Letras Português e Inglês, Português e Francês e Português - modalidade EaD da Universidade Federal do Amapá. É uma ação que visa promover o conhecimento, a leitura, o interesse e a pesquisa da Literatura produzida na/sobre a Região Norte do país, aprofundar o conhecimento acerca de sua identidade, história e cultura, além de também proporcionar aperfeiçoamento, atualização e capacitação de professores de língua portuguesa, mediante a apresentação, análise e estudo de autores, grupos e/ou agremiações literárias e de obras referenciais produzidas na/sobre a região.